Punhal de luz

8/Agosto/2008

Nunca ninguém sabe no que as coisas vão dar. Promoções no trabalho podem levar a chefes impossíveis e ao que eles podem trazer para nossas vidas. Uma bela bicicleta nova pode nos deixar diante de um trombadinha de olho nela ou acabar conosco no chão. E nos dar um joelho ralado. Nunca se sabe onde as coisas vão dar.

Antes, estive perto de tudo. Tinha alguns bons planos. E poucos bons amigos faziam parte dele. Mas, num instante, tudo se mostrou uma péssima idéia. Os tapinhas nas costas se transformaram em dedos nos olhos e chutes no saco. Para não falar nas facadas nas costas. Aí, de repente, aquela escada escura, de todas as noites, passou a ser sombria. Soturna.

Alguns passos em seus degraus se tornaram, em oposição aos rápidos e alegres de antes, morosos e cansativos. Tudo o que vinha de lá virou monstruoso. O telefone, quando tocava, parecia um chicote que deixava marca em todo corpo. Marcas da vergonha que se é investir tudo em uma grande idéia boba. As visitas buscavam em uma bandeja, sem mais cerimônias, meu sangue e cabeça.

E o cansaço já oferecia aos de fora o que vinham buscar. Mas a gente ainda não sabe no que as coisas dão. Não depende dela, de mim ou do leitor. Ninguém pode adivinhar. Tudo o que se pode fazer é voltar a acreditar e deixar que as coisas aconteçam. Os que economizam, os que gastam, os que fumam, os que correm, os que tropeçam, os que apunhalam… Todos estão fadados a se deixar levar pelos acontecimentos.

E eu também.

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